domingo, 30 de junho de 2013
Circo Dos Horrores
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A Pequena Casa do Mal
Dennis é um advogado muito competente, e por isso, é sempre requisitado e dependendo do caso em que trabalha, ás vezes fica até tarde no escritório. E foi em uma dessas noites em que trabalhou até de madrugada, que algo terrível aconteceu.
Enquanto passava por uma pequena estrada, Dennis avistou um rapaz que desesperadamente pedia ajuda. Dennis ficou temeroso, mas mesmo assim parou. O rapaz, muito agitado, pediu que Dennis o seguisse. Dennis o seguiu, e o homem pegou uma pequena trilha que adentrava a mata e subia um morro. Dennis perguntava o que estava acontecendo, mas o rapaz apenas pedia que o seguisse. Dennis continuou a seguir o rapaz por uns trinta metros morro acima. Estava muito escuro, e Dennis acabou perdendo-o de vista. Ele ficou chamando pelo rapaz por alguns minutos, mas nem sinal do individuo. O local estava uma escuridão total, e Dennis meio sem saber o que fazer andou mais alguns metros adiante, até que, por trás de algumas árvores, ele notou que havia uma claridade. Essa claridade, era de uma lâmpada em frente a uma pequena casa situada bem no alto do morro. Dennis foi caminhando em direção a casa, mas alguns metros antes de chegar nela, ele começou a escutar um barulho no matagal. A vegetação alta e a escuridão fizeram com que Dennis ficasse parado, sem reação alguma, apenas ouvindo os sons a sua volta. Eram sons de passos, e Dennis nesse momento, se arrependeu de ter parado o carro, pois pressentia que algo ruim estava prestes a acontecer. Não havia mais sinal daquele rapaz, os sons de passos continuavam, o local completamente escuro, e Dennis na dúvida se corria até aquela casa ou não. Mas pensando um pouco mais, ele decidiu voltar pela trilha e sair daquele local estranho. Mas enquanto caminhava rapidamente para retornar a seu carro, Dennis foi surpreendido terrívelmente. Um homem saiu do matagal e golpeou Dennis bem na cabeça com uma pá. Dennis meio atordoado, conseguiu se levantar e correr de volta pela trilha, mas aquele estranho homem o seguiu. Enquanto corria atrás de Dennis, o homem gritava assustadoramente, mas Dennis conseguiu correr de volta até a rua, chegar no seu carro, pegar o telefone e avisar a policia. Uma viatura chegou em poucos minutos, e foram os policiais que avisaram Dennis sobre um sério ferimento na cabeça, que devido ao susto, ele não havia percebido. Dennis contou tudo aos policiais, contou sobre o rapaz que pediu ajuda e desapareceu e também sobre o homem que o atingiu com uma pá. Como o ferimento na cabeça parecia ser grave, uma ambulância foi chamada e Dennis encaminhado para um hospital.
Os policiais chamaram reforços, e alguns minutos depois chegaram mais duas viaturas. Dois dos policiais ficaram próximos aos carros, enquanto os outros quatro iniciaram a subida ao moro. Usando lanternas, os policiais foram subindo com muita cautela, examinando tudo ao redor. À medida que subiam pela trilha, o mato ia ficando cada vez mais alto. A escuridão e o vento que batia na vegetação deixaram todos muito apreensivos, pois não sabiam o que iriam encontrar no alto do morro. Foram andando bem devagar, até que avistaram a pequena casa. A lâmpada próxima à entrada da casa continuava acesa. Os policias foram até a casa, deram a volta e viram que a energia elétrica vinha de um velho gerador. Voltaram até a frente, bateram na porta várias vezes, mas ninguém atendeu. Um dos policiais voltou até os fundos para ver se havia outra entrada, e alguns segundos depois, ele gritou chamando os companheiros. Ele havia descoberto várias valas no quintal da casa, todas com comprimento para caber corpos humanos. Todos achando aquilo muito suspeito decidiram invadir a casa. Arrombaram a porta facilmente devido a seu estado deteriorado. Ao entrar na casa, notaram que havia poucos móveis, todos eles em péssimo estado. A sala ficava praticamente junto à cozinha, havia resto de comida por todos os lados, e pra piorar, um cheiro horrível se espalhava por todo o ambiente. No quarto só um colchão e um cobertor velho e no banheiro uma sujeira total. A iluminação precária fez com que os policiais sentissem um enorme desconforto. Vasculharam todo canto da casa, mas, não encontraram nada. Eram quase quatro da manhã, os policiais pretendiam voltar quando o dia clareasse, mas, um deles descobriu algo sem querer. Ele notou que as baratas que lá circulavam, entravam e saíam por um vão debaixo de um tapete velho. O policial levantou o tapete e descobriu uma espécie de alçapão. No principio pensaram ser à entrada de um porão, mas na verdade, era um enorme buraco escavado por debaixo as casa. Dois policiais desceram por uma escada de madeira, havia um túnel de uns dez metros de comprimento, e ao fundo havia uma claridade. Os policiais foram andando lentamente em direção ao fundo do túnel, mas para o azar dos dois, a luz foi desligada. Os policiais voltaram rapidamente à saída e pediram as lanternas. Retornando a investigação, eles continuaram em direção ao fundo daquele túnel, dessa vez, mais apreensivos ainda. E quando já haviam passado da metade, um homem surgiu gritando, e com uma picareta, tentou agredir os policiais, mas ambos conseguiram se esquivar. Começou uma luta entre os policiais e aquele estranho homem, mas entre chutes e socos, ele conseguiu se livrar, subir a escadinha e lá em cima, travar outra luta com os outros dois policiais. Foi preciso um tiro na perna para que conseguissem algemá-lo. Esse homem era um senhor de meia idade, magro, tinha um rosto medonho, cabelos ralos e compridos, barba enorme e poucos dentes na boca. Os policiais estranharam que um homem daquela estatura e idade tivesse tamanha força. Mas foi na hora em que foram levá-lo para fora da casa, que os policiais levaram o pior susto de suas vidas. O homem começou a gritar assustadoramente, e o pior, vários objetos da casa começaram a cair, portas e janelas começaram a bater, as luzes ficaram piscando e um barulho infernal, que pareciam ser vozes, atordoaram os policiais. Eles tentaram correr para fora da casa, mas a porta parecia estar trancada. Aquele homem apavorante ainda tentava agredi-los, e só conseguiram pará-lo, com um tiro na cabeça. O homem caiu morto, e foi nesse momento, que os sons atormentadores cessaram. Os policiais saíram da casa, mas todos ainda muito transtornados, sentaram alguns metros adiante, próximos a uma árvore no meio da trilha. Ficaram todos calados até o amanhecer.
Os policiais chamaram reforços, e alguns minutos depois chegaram mais duas viaturas. Dois dos policiais ficaram próximos aos carros, enquanto os outros quatro iniciaram a subida ao moro. Usando lanternas, os policiais foram subindo com muita cautela, examinando tudo ao redor. À medida que subiam pela trilha, o mato ia ficando cada vez mais alto. A escuridão e o vento que batia na vegetação deixaram todos muito apreensivos, pois não sabiam o que iriam encontrar no alto do morro. Foram andando bem devagar, até que avistaram a pequena casa. A lâmpada próxima à entrada da casa continuava acesa. Os policias foram até a casa, deram a volta e viram que a energia elétrica vinha de um velho gerador. Voltaram até a frente, bateram na porta várias vezes, mas ninguém atendeu. Um dos policiais voltou até os fundos para ver se havia outra entrada, e alguns segundos depois, ele gritou chamando os companheiros. Ele havia descoberto várias valas no quintal da casa, todas com comprimento para caber corpos humanos. Todos achando aquilo muito suspeito decidiram invadir a casa. Arrombaram a porta facilmente devido a seu estado deteriorado. Ao entrar na casa, notaram que havia poucos móveis, todos eles em péssimo estado. A sala ficava praticamente junto à cozinha, havia resto de comida por todos os lados, e pra piorar, um cheiro horrível se espalhava por todo o ambiente. No quarto só um colchão e um cobertor velho e no banheiro uma sujeira total. A iluminação precária fez com que os policiais sentissem um enorme desconforto. Vasculharam todo canto da casa, mas, não encontraram nada. Eram quase quatro da manhã, os policiais pretendiam voltar quando o dia clareasse, mas, um deles descobriu algo sem querer. Ele notou que as baratas que lá circulavam, entravam e saíam por um vão debaixo de um tapete velho. O policial levantou o tapete e descobriu uma espécie de alçapão. No principio pensaram ser à entrada de um porão, mas na verdade, era um enorme buraco escavado por debaixo as casa. Dois policiais desceram por uma escada de madeira, havia um túnel de uns dez metros de comprimento, e ao fundo havia uma claridade. Os policiais foram andando lentamente em direção ao fundo do túnel, mas para o azar dos dois, a luz foi desligada. Os policiais voltaram rapidamente à saída e pediram as lanternas. Retornando a investigação, eles continuaram em direção ao fundo daquele túnel, dessa vez, mais apreensivos ainda. E quando já haviam passado da metade, um homem surgiu gritando, e com uma picareta, tentou agredir os policiais, mas ambos conseguiram se esquivar. Começou uma luta entre os policiais e aquele estranho homem, mas entre chutes e socos, ele conseguiu se livrar, subir a escadinha e lá em cima, travar outra luta com os outros dois policiais. Foi preciso um tiro na perna para que conseguissem algemá-lo. Esse homem era um senhor de meia idade, magro, tinha um rosto medonho, cabelos ralos e compridos, barba enorme e poucos dentes na boca. Os policiais estranharam que um homem daquela estatura e idade tivesse tamanha força. Mas foi na hora em que foram levá-lo para fora da casa, que os policiais levaram o pior susto de suas vidas. O homem começou a gritar assustadoramente, e o pior, vários objetos da casa começaram a cair, portas e janelas começaram a bater, as luzes ficaram piscando e um barulho infernal, que pareciam ser vozes, atordoaram os policiais. Eles tentaram correr para fora da casa, mas a porta parecia estar trancada. Aquele homem apavorante ainda tentava agredi-los, e só conseguiram pará-lo, com um tiro na cabeça. O homem caiu morto, e foi nesse momento, que os sons atormentadores cessaram. Os policiais saíram da casa, mas todos ainda muito transtornados, sentaram alguns metros adiante, próximos a uma árvore no meio da trilha. Ficaram todos calados até o amanhecer.
Depois de passado o susto, eles chamaram reforços. Vasculharam a casa inteira, e no fim daquele túnel, havia um altar com várias estatuas de demônios, e no quintal, havia nove valas, todas com corpos dentro. Os quatros policiais decidiram manter aqueles acontecimentos em segredo.
No hospital, Dennis recebeu curativo no ferimento e passou dois dias no hospital em observação. No quarto em que estava, havia um cartaz com fotos de pessoas desaparecidas, e em uma dessas fotos, estava o rapaz que pediu ajuda na estrada. Ele estava desaparecido há três meses e seu corpo foi encontrado em uma daquelas valas.
Alguns meses depois, aquela casa tenebrosa foi demolida, mas, durante a demolição, dois trabalhadores morreram de formas inexplicáveis.
O Assassino da rua 23

Era uma noite fria durante o inverno de 1834. As notícias repentinas de haver um assassino vagando por este bairro faziam meu estômago embrulhar ao me lembrar de Clarisse, pois as vitimas eram sempre mulheres ricas, jovens e atraentes, assim como minha linda Clarisse.
O vento bateu forte em meu rosto, me obrigando a segurar meu chapéu coco para impedir que voasse, enquanto caminhava em direção á casa dela, como me acostumei a fazer toda noite desde que decidimos nos casar a pouco menos de um mês.
– Clarisse, estou dizendo, você deveria ficar em casa. Pelo menos até a polícia encontrar este assassino. – Disse á ela enquanto ela enchia minha xícara com chá.
– Não seja bobo. Sabe que minha tia precisa de mim. Está em seus últimos dias. Além disso, deveria se preocupar mais com você. Já não lhe disse para não andar desacompanhado?
Eu sofria de narcolepsia. Não eram raras as ocasiões em que cochilava durante o dia, tendo todo o meu corpo paralisado e indefeso. Estava acostumado á isso desde criança e já nem me importava se ficasse inconsciente a qualquer hora do dia. Não podia evitar.
– Clarisse... as vítimas são mulheres. Faça isso, por favor.
– Não vou me trancar em casa por causa de um assassino. Tenho certeza de que a polícia irá cuidar disso antes que mais alguém saia ferido.
Ferir, ela dizia como se fosse o pior que pudesse acontecer, quando na verdade todas as vítimas eram brutalmente assassinadas. Suspirei enquanto pegava meu chapéu e meu casaco, sabendo que nada a faria mudar de idéia.
– Venha jantar aqui amanhã. Vou pedir para que façam seu prato preferido. – Ela disse quando sai pela porta, acenando para mim.
Em algum momento da volta, eu sabia que minha visão estava começando a embaçar, senti meus membros pesados e sei que me escorei em um muro e dormi. Era tarde e meu sono se intensificava por causa de minha doença. Tive um sonho inquieto, intensificado por meu medo de perder Clarisse, ouvi gritos e vultos estranhos, acordando assustado ao imaginar sua imagem ensangüentada.
Não sei como cheguei em minha própria casa, pois ao acordar em minha cama não me lembrava de como havia chegado ali. Talvez fosse algum outro sintoma da doença, eu não podia saber, mas quase sempre quando eu acordava, me via em algum lugar diferente do qual eu estava ao dormir. Era um incômodo, tenho que dizer, as pessoas se afastavam de mim por isso, como se fosse algo contagioso. Em várias oportunidades tive ajuda de conhecidos que me traziam até a presença de algum familiar, mas com o tempo, até estes se afastaram. Mas Clarisse jamais se deixara afetar por meus problemas de saúde e sempre esteve comigo, mesmo quando ainda éramos criança.
Sabia que ela era a pessoa certa e não havia nada que eu não faria por ela.
E por isso me preocupei ao ler os jornais no dia seguinte ao descobrir que mais alguém havia sido vítima do sanguinário assassino da Rua 23, como passou a ser conhecido.
A rua que dera nome á ele era justamente aquela que Clarisse morava.
A pobre mulher foi encontrada morta, esquartejada em um beco e os pedaços haviam sido abandonados ali mesmo, para quem quisesse ver. Saber que eu havia estado naquela rua, naquela noite, e poderia ter cruzado com o assassino era o pior para mim. Podia ter sido Clarisse. O que eu faria sem ela?
Preocupado, sai de casa, disposto a convencê-la a morar comigo, pelo menos até que os crimes terminassem. Pouco me importava o que fossem achar se uma mulher solteira fosse morar com um homem sem terem se casado.
Embora quisesse encontrá-la, sabia que não estaria em casa tão cedo então me contive até que anoitecesse e desse o horário do jantar.
Estava tão frio que comecei a sentir meus dedos formigarem. O vento batia nas folhas das velhas árvores da rua com seu assobio choroso, dando certo ar lúgubre á paisagem. Olhei em volta, encarando aqueles que passavam por mim e imaginando qual deles poderia ser o assassino. O toque de recolher não me permitiria demorar muito mais se quisesse ter tempo para convencer Clarisse a morar comigo. Era preciso apertar o passo.
– Você se preocupa demais. Está tarde para sair perambulando pela rua cheia de malas. Estou segura em casa.
Eu a encarava seu rosto por cima do vaso de flores na mesa. Ela se manteve calma durante todo o jantar e nada do que eu dissesse parecia fazê-la mudar de opinião.
– Morando sozinha? Clarisse! Por que tem que ser tão cabeça dura? Venha comigo por hoje e amanhã voltamos para buscar suas coisas.
– Estou tão cansada... Se estiver tão preocupado, por que não fica aqui esta noite? – Ela inclinou a cabeça e deu um meio sorriso para mim. – Estarei segura com você.
Eu não podia deixá-la sozinha. Não parecia certo. Iria então velar seu sono e impedir que qualquer mal á atingisse. Era a única solução.
Sentei-me em uma poltrona em seu quarto, abusando da intimidade que nós ainda não devíamos ter. Observei enquanto ela se deitava e se virava para mim, sorrindo e murmurando boa noite ao se cobrir.
A noite avançava e sua escuridão forçava meus limites. Não iria resistir por muito tempo ao sono, sabia que a qualquer momento poderia ficar inconsciente tendo em vista o mal que me afligia.
Pensamentos de morte inundavam meu cérebro, me mantendo acordado por alguns instantes. Porém, no momento em que consegui raciocinar direito sem me deixar levar por sentimentalismos, percebi que não era mesmo necessário me manter acordado. Eu estava sendo um bobo super protetor, é claro, o assassino só atacava mulheres que andavam noite afora, não senhoras seguras em suas próprias casas. Eu havia me deixado levar pelo medo, pois ele não era um invasor, apenas um sanguinário sem escrúpulos.
Clarisse estava deitada. A luz do luar que entrava pela janela iluminava seus cabelos loiros caídos no rosto, enquanto sua mão pousada sobre o corpo suavemente acompanhava o ritmo de sua respiração lenta de quem já sonha. Eu a olhei com ternura, momentos antes de fechar meus olhos ao perceber que a sensação de dormência causada por meu sono anormal estava começando a me atingir e relaxei na poltrona, sorrindo ao perceber que ela estava segura.
Ainda estava escuro quando meus olhos se abriram. Ao meu lado jazia Clarisse, ainda dormindo. De alguma forma eu havia me movido até sua cama e me sentado ao seu lado. Mas algo estava diferente. A posição de seu corpo não parecia natural. Ouvi ruídos de passos e ao olhar para frente, havia um homem parado na porta e o coro de uma multidão revoltosa soava pela janela entreaberta. Meus extintos despertaram para um possível suspeito de assassinato fugindo e adentrando na primeira residência que encontrasse.
Eu poderia defendê-la. Lembrava-me de ter visto uma faca na cômoda perto da cama.
Ele caminhou até a janela em passos rápidos e bruscamente puxou as cortinas permitindo que toda a luz da lua entrasse no aposento e em seguida se virou, mostrando seu rosto. Eu assistia aquilo sem saber o que deveria fazer ao me deparar com o próprio Chefe da Polícia.
– O que foi que você fez? – Ele perguntou se dirigindo á mim. – O que foi que você fez? – Ele repetiu mais uma vez.
Olhei-o sem entender o que queria dizer, por mais que gesticulasse com as mãos e me olhasse incrédulo. Vendo minha reação, ele caminhou até mim, furioso, me obrigando a buscar a faca na cômoda para o caso de algo sair do controle.
Mas ela não estava lá. Olhei para Clarisse e seus cabelos loiros estavam manchados de vermelho, que também se espalhava por toda a cama. Estava morta ao meu lado, inerte. Sua respiração havia cessado para sempre, porém seu coração ainda forçava o líquido escarlate para fora do corpo, jorrando sobre a cama. Seus olhos me encaravam abertos e apavorados numa expressão de dor e traição que eu jamais poderei me esquecer.
Não se tratava mais de um caso de narcolepsia, eu logo percebi ao despertar neste cenário. Era um caso de dupla-personalidade em que todo o mal que havia sido acumulado em meu ser havia despertado, de uma forma que eu jamais poderia ter imaginado nem em meus piores pesadelos. Encarei a faca, que ainda segurava em uma das mãos, horrorizado ao perceber os fatos e enterrei-a em meu peito.
Brincadeira perigosa
Bruce acordou em um hospital, logo, estranhou o fato de estar deitado em uma cama com diversos curativos pelo corpo, principalmente nos braços e no rosto, não tinha a mínima idéia de como chegou até ali. Além da aparente amnésia, seu corpo estava dolorido como se tivesse exercido grande esforço, mal conseguia se mexer. Alguns minutos depois, a mãe de Bruce entrou no quarto acompanhada de uma enfermeira e chorando muito perguntou:
Mas Bruce não entendia porque estava em um hospital e muito menos o porque de sua mãe estar perguntando aquilo e, com grande dificuldade de falar, perguntou como é que ele ficou naquele estado e qual era o motivo do choro da sua mãe. Mas a senhora estava tão abalada que precisou ser retirada do quarto e tranqüilizada com calmantes.
Mais tarde, a presença de um investigador de policia confundiu ainda mais a cabeça de Bruce. O homem fez diversas perguntas, tais como: o que levou Bruce a cometer aquelas terríveis atrocidades. O investigador questionou Bruce de diversas formas, mas a única resposta que recebeu do garoto foi: - não lembro de nada! . Foram quase duas horas de perguntas, mas sem resultado satisfatório para o investigador, que antes de sair disse a Bruce:
- Tudo indica que foi você!Bruce continuou sem entender nada.
O investigador, chamado Frank, foi pegar o depoimento da única pessoa que realmente sabia de fato o que aconteceu em uma terrível noite, em que Bruce teria cometido tais terríveis atrocidades. Era Aline, amiga de Bruce. Frank pediu para ficar a sós com a garota, e logo de cara perguntou:
- O que aconteceu naquela noite?
Aline começou a descrever passo a passo os acontecimentos dessa apavorante noite, e o que ela revelou, surpreendeu e também assustou Frank.
- Estávamos todos na casa de uma amiga chamada Camille, havíamos combinado de assistir alguns filmes, mas os garotos mudaram de idéia, eles queriam fazer uma brincadeira de um antigo livro de bruxaria. Era uma espécie de jogo em que os espíritos revelariam o destino de cada pessoa participante. Junto com o livro, havia cartas com vários dizeres, amor, sorte, azar, doença, morte...Eu, Camille e uma outra amiga chamada Ana, não queríamos participar, mas com a insistência dos garotos, acabamos aceitando. Sentamos todos no chão em volta das cartas, mas para começar o jogo, era necessário alguém dizer algumas palavras estranhas que estavam escritas no livro, Bruce se prontificou em dizê-las, e foi aí que aconteceu. Depois de repetir por diversas vezes aquelas estranhas palavras, Bruce começou a se sentir mal e desmaiou. Nós tentamos ajudá-lo, mas logo ele acordou, não sei como...Mas quando levantou, parecia ser uma outra pessoa. Seus olhos estavam brancos e em seu rosto havia uma expressão de maldade como nunca vi antes. Com certeza não era Bruce, parecia que alguma coisa o havia possuído. Ele pegou uma garrafa de vinho que estava sobre uma mesa e a quebrou, e com a garrafa quebrada, começou a golpear nossos amigos, ninguém teve tempo de correr. Eu vi Bruce assassinar três amigos bem na minha frente. Ele tentou me atacar, mas eu consegui correr, ele feriu apenas o meu braço. Mas não fui muito longe, fiquei toda encolhida em um canto da cozinha, Bruce ainda veio atrás de mim, mas parou bem na minha frente e começou a cortar o próprio rosto e braços, depois de um tempo, desmaiou novamente, foi aí que chamei a policia.
O investigador estranhou tudo o que Aline disse, mas devido a expressão de terror do rosto da garota e a forma com que ela contou os fatos, ele sabia que Aline dizia a verdade.
Mesmo sem saber o que de fato realmente aconteceu, Bruce foi conhecido como o assassino dos três jovens, Ana, Camille e Mark. Frank não sabia se o que Aline disse era realmente algo relacionado ao sobrenatural, e não pode fazer nada a respeito. Bruce, quando se recuperou, foi preso pelo assassinato de seus três amigos. Só Aline se lembrava daquela terrível noite, em que uma brincadeira, terminou em tragédia.